Como eu corri meus primeiros 42.195 metros e vivi para contar a experiência 

Eu comecei a correr em 10 de setembro de 2014. Na primeira tentativa consegui a duras penas correr aproximadamente 200 metros e travei. Aquilo não era para mim. Ainda bem que a Franciela Santin, minha companheira de vida e de corrida, estava do meu lado. O nosso preparo físico (eu com quase 120 quilos e ela quase mais sedentária que eu) era algo assustador. Nos olhamos e rimos. Era mais uma iniciativa maluca para que eu perdesse peso e dela me acompanhar. Já havíamos tentando outras opções esportivas sem sucesso. Mas nessa oportunidade era diferente.

Começamos o treinamento com acompanhamento profissional. Algo que fez muita diferença. Graças ao acompanhamento técnico do nosso primeiro coach de corrida (Leonardo Marmitt, obrigado pela iniciação na corrida!) conseguimos vencer as primeiras barreiras. Inicialmente foram as primeiras distâncias, o frio, a chuva (era fim de inverno e 2014 foi um período bem úmido e com vento) e aquele sentimento “porque eu resolvi correr? Justo no dia de hoje com esse clima?”.

Em menos de 2 meses fiz minha primeira prova. Na verdade, não foi uma prova, mas sim um misto. Foi uma caminhada de 3 km, em que levei quase uma hora para completar. Imaginem a cena. Eu, com a maior camisa disponível (GG e ainda assim era pequena), caminhando sob o sol e completando o primeiro desafio. E com direito a corridinha no final. A foto não me deixa mentir (e sim, essa foi a melhor foto que consegui encontrar).

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SESI Life Run
Com o tempo e com a adição de novos profissionais auxiliando (a nossa nutricionista Dra. Amanda Miranda, obrigado pela paciência e pelo seu trabalho!) na busca de metas, eu consegui correr distâncias maiores, fiz a minha primeira prova de 3 km, a primeira prova de 5 km, fiz uma viagem internacional para correr a minha prova de 10 km e fiz a minha primeira meia maratona (21 km) em 2016. Mas o mais importante foi a lição de vida que tive com a corrida. Não importa a distância e o tempo que você demora para correr. Se você tiver foco e vontade o resultado acontecerá. Depende apenas de sua persistência.

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Melhoria na alimentação
Mas apesar de tudo (nessa lista vocês podem imaginar um pouco de tudo: trabalho, estresse, mudanças) continuei a preparação para perder peso e adicionei uma meta ambiciosa. Eu iria correr a distância mais clássica das corridas: a Maratona. Escolhi Porto Alegre pela boa experiência da Meia Maratona de 2016 e me dediquei (claro que da minha maneira) para vencer essa distância.

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Corrida Pedra Branca – 2016
A preparação começou com muito foco, com mudança inclusive de treinador (passei a treinar com a Floripa Runners, sob a tutela do mestre Fabiano Braun) e passei a me dedicar além dos treinos de corrida a duas vezes por semana fazer treinos funcionais (Malu, obrigado pela dedicação e pelos treinos que você elaborou!). A carga, não posso negar, foi exaustiva e acentuada.

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Treinamento funcional
A cada final de semana da preparação havia um novo desafio. E em algumas das oportunidades onde o que importava era o volume, o treino consistia em uma meia maratona. Ou seja, o que um dia foi uma meta virou treino. E isso era engraçado. As vezes foi muito difícil manter a regularidade e treinar seguindo a planilha de um modo obsessivo como a Franciela, mas da minha maneira fui encontrando os caminhos para realizar o que havia sido traçado.

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Evolução – na esquerda em 2014 e na direita em 2017
A preparação chegou ao fim, eu fiz o que podia e encarei o desafio. Vou deixar o dia 11 de junho para sempre na minha memória como o dia em que venci a maratona. Pode ser que o tempo não foi o esperado, mas isso não importa. O que importou foi percorrer a distância com o coração e a mente em sintonia. Houveram dores, diminui o ritmo e até mesmo dei uma caminhada. Mas eu não estava lá para bater recordes ou fazer uma prova para subir num pódio e ganhar um troféu. Eu estava lá pelo amor a minha saúde e pelo desafio. E posso dizer, com um orgulho que nunca tive na minha vida, que venci a maratona.

 

Venci não somente a distância, mas venci a minha mente, as incertezas e a incredulidade de algumas pessoas e provei, para mim mesmo, que os desafios, por maiores que se apresentem na nossa frente, existem para serem vencidos.

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Orgulho: medalha no peito!
Na nossa vida não teremos só vitórias. Talvez essa seja a grande graça de viver. É cair para aprender a levantar. E saber que no momento de dificuldade a força para vencer o desafio está dentro de você. E que força para vencer um desafio está justamente de como você está preparado para apanhar, se sentir derrotado, mas não se entregar.

Por Gelsom Sbardelotto – corredor